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Direito Tributário & Defesa do Sócio

Redirecionamento de execução fiscal para o sócio em BH: como se defender

Dr. Diego Gomes Pacheco — OAB/MG 143.562 Atualizado em maio de 2026 Leitura: ~10 min

Você recebeu uma intimação informando que foi incluído em uma execução fiscal redirecionada — uma dívida tributária da empresa onde era sócio ou administrador que agora está sendo cobrada do seu CPF, do seu imóvel, do seu carro, da sua conta pessoal. Essa situação é grave, mas tem defesa técnica eficaz. E em muitos casos, o prazo prescricional para o redirecionamento já passou — sem que o sócio soubesse.

O Dr. Diego Gomes Pacheco explica o que é o redirecionamento de execução fiscal, quais são os únicos casos em que ele é legítimo, como funciona o prazo prescricional de 5 anos definido pelo STJ e quais são as estratégias de defesa disponíveis para o sócio em Belo Horizonte.

O que é o redirecionamento de execução fiscal para o sócio

Quando a empresa devedora não tem bens suficientes para pagar a dívida tributária, a Fazenda Pública pede ao juiz que inclua os sócios-gerentes como responsáveis pessoais pela dívida. Com o redirecionamento deferido, os bens pessoais do sócio — imóvel, veículo, conta bancária — ficam sujeitos à penhora, exatamente como se ele fosse o devedor original.

O fundamento legal é o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN), que permite responsabilizar pessoalmente os diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas por atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos.

⚠ Regra fundamental do STJ

O STJ é firme: o mero inadimplemento tributário não configura infração à lei para fins de responsabilização pessoal do sócio. A Fazenda precisa demonstrar um ato ilícito específico — dissolução irregular, excesso de poderes ou infração à lei. Dívida fiscal existir não é suficiente.

Quando o redirecionamento é legítimo — e quando não é

O redirecionamento só é legítimo em três situações específicas previstas no art. 135 do CTN:

Situação Redirecionamento legítimo? Fundamento
Dissolução irregular da empresa Sim — o caso mais comum Súmula 435/STJ + Tema 981/STJ
Atos com excesso de poderes Sim — com prova específica Art. 135, III, CTN
Infração à lei ou contrato social Sim — com prova específica Art. 135, III, CTN
Simples não pagamento de tributo Não STJ — REsp 1.101.728/SP (Tema repetitivo)
Sócio sem poderes de gestão Em regra, não Redirecionamento atinge o administrador, não o sócio investidor
Sócio que saiu regularmente antes da dissolução Não STJ — Tema 962

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A dissolução irregular — o gatilho mais comum em BH

A dissolução irregular é a causa mais frequente de redirecionamento nas varas da Fazenda Pública de BH. Ela ocorre quando a empresa simplesmente para de funcionar sem seguir o processo legal de encerramento — sem distrato registrado na Junta Comercial, sem baixa na Receita Federal, sem entrega das declarações finais.

Pela Súmula 435 do STJ, presume-se a dissolução irregular quando o oficial de justiça atesta que a empresa não foi encontrada no endereço cadastral. Essa presunção é relativa — admite prova em contrário — mas impõe ao sócio o ônus de demonstrar que a empresa ainda existe ou que foi encerrada regularmente.

O redirecionamento pela dissolução irregular atinge especificamente o sócio que tinha poderes de administração no momento em que a dissolução se configurou. O STJ (Tema 981) é expresso: o redirecionamento pode recair sobre o sócio identificado na data em que a dissolução foi configurada ou presumida, ainda que não fosse sócio na época do fato gerador da dívida.

⚠ Cuidado com o endereço desatualizado

Se a empresa mudou de endereço sem atualizar o cadastro na Receita Federal ou Junta Comercial, o oficial de justiça vai certificar que não encontrou a empresa — e isso automaticamente gera a presunção de dissolução irregular. Manter o cadastro atualizado é uma medida preventiva essencial.

O prazo prescricional do redirecionamento — a primeira defesa a verificar

A primeira verificação que o advogado faz ao receber um caso de redirecionamento é se o prazo prescricional de 5 anos já passou. O STJ, no Tema 444 dos recursos repetitivos, fixou as seguintes regras:

Cenário 01

Dissolução irregular ocorreu ANTES da citação da empresa

5

anos contados da citação da empresa na execução fiscal. Se a Fazenda demorar mais de 5 anos após a citação para pedir o redirecionamento — o prazo está prescrito.

Cenário 02

Dissolução irregular ocorreu DEPOIS da citação da empresa

5

anos contados da data em que o Fisco tomou conhecimento do ato inequívoco de dissolução irregular. A Fazenda precisa demonstrar que agiu dentro desse prazo.

✓ Por que isso é tão importante

Execuções fiscais antigas — especialmente de empresas que fecharam há mais de 5 anos — com frequência têm o prazo prescricional do redirecionamento esgotado. O advogado verifica essa questão como primeira linha de defesa, por exceção de pré-executividade — sem necessidade de garantia do juízo. Se a prescrição for reconhecida, o sócio é excluído da execução sem precisar pagar nada.

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Defesas disponíveis para o sócio em BH

O sócio atingido pelo redirecionamento tem várias linhas de defesa disponíveis. A escolha depende dos fatos específicos do caso:

01

Prescrição do redirecionamento (Tema 444/STJ)

Se passaram mais de 5 anos desde a citação da empresa ou da ciência do ato de dissolução, o redirecionamento está prescrito. Arguível por exceção de pré-executividade — sem necessidade de garantia. É a defesa mais rápida e eficaz quando aplicável.

02

Ausência de poderes de gestão

Se o sócio era cotista sem poderes de administração — sócio investidor, por exemplo — não se enquadra no art. 135, III, do CTN. O redirecionamento deve ser afastado com prova do contrato social e das alterações posteriores.

03

Saída regular antes da dissolução (Tema 962/STJ)

O sócio que se retirou regularmente da empresa — com registro na Junta Comercial — antes da configuração da dissolução irregular não pode ser atingido pelo redirecionamento. O advogado comprova com o contrato social e as certidões da Junta Comercial.

04

Empresa não está dissolvida irregularmente

A citação positiva da empresa afasta a presunção de dissolução irregular (STJ). Se a empresa foi encontrada e citada, ou se está em funcionamento regular, não há fundamento para o redirecionamento por dissolução irregular.

05

Ausência de ato ilícito específico

Quando o fundamento do redirecionamento é excesso de poderes ou infração à lei — não dissolução irregular — a Fazenda precisa demonstrar o ato ilícito específico. O sócio pode contestar nos embargos apresentando prova de que não praticou o ato alegado.

06

Regularização da empresa — encerramento formal

Em alguns casos, promover o encerramento formal da empresa — com todos os registros corretos — pode afastar a presunção de dissolução irregular e fundamentar o pedido de exclusão do sócio da execução.

Exceção de pré-executividade x Embargos no redirecionamento em BH

Para se defender do redirecionamento, o sócio pode utilizar dois instrumentos processuais principais:

A exceção de pré-executividade é a mais indicada quando a defesa se baseia em matéria de ordem pública demonstrável sem dilação probatória — especialmente a prescrição do redirecionamento. Não exige garantia do juízo e pode ser apresentada a qualquer momento. Se acolhida, o sócio é excluído da execução imediatamente.

Os embargos à execução fiscal são indicados quando a defesa exige produção de provas mais complexas — como demonstrar que o sócio não tinha poderes de gestão ou que se retirou regularmente. Exigem garantia do juízo e têm prazo de 30 dias da intimação da penhora.

"O redirecionamento é a situação mais estressante que um empresário pode enfrentar — ver seu patrimônio pessoal ameaçado por uma dívida da empresa. Mas em grande parte dos casos há fundamento para excluir o sócio da execução, seja pela prescrição, seja pela ausência dos requisitos legais. A chave é agir rápido." — Dr. Diego Gomes Pacheco, OAB/MG 143.562

Como proteger o patrimônio pessoal preventivamente em BH

A melhor defesa contra o redirecionamento é preventiva. O advogado tributário recomenda:

Por que contratar advogado especialista em redirecionamento em BH

O redirecionamento é tecnicamente complexo e exige análise cuidadosa do histórico societário, dos prazos prescricionais e da jurisprudência do STJ. Um advogado especialista em defesa tributária em Belo Horizonte age imediatamente para identificar o fundamento do redirecionamento, verificar a prescrição e apresentar a defesa mais eficaz para proteger seu patrimônio pessoal.

No escritório Diego Gomes & André Alves Advogados, em BH, o Dr. Diego Gomes Pacheco (OAB/MG 143.562) atua na defesa de sócios atingidos por redirecionamento de execuções fiscais federais, estaduais e municipais. Consulta gratuita pelo WhatsApp.

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