Em 7 de maio de 2026, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça encerrou definitivamente o debate sobre a legalidade da chamada "teimosinha" do Sisbajud. Por votação unânime, os ministros validaram o uso da ferramenta nas execuções fiscais e fixaram tese vinculante que deve ser seguida por todos os tribunais do país. A decisão tem impacto imediato para empresas e pessoas físicas com dívidas fiscais em Belo Horizonte — e muda a estratégia de defesa que o advogado precisa adotar.
O Dr. Diego Gomes Pacheco explica o que é a teimosinha, o que exatamente o STJ decidiu, quais foram as duas teses vinculantes fixadas, o que mudou na prática para os devedores em BH, e — mais importante — quais são as formas de defesa que ainda existem após essa decisão.
Teses Vinculantes — STJ Tema 1.325 — 07/05/2026 — Relator Min. Sérgio Kukina
01
"A reiteração automática de ordens de bloqueio via Sisbajud ('teimosinha') é medida legítima voltada à efetividade da execução e compatível com o ordenamento processual, cabendo ao executado demonstrar causas impeditivas do gravame ou a existência de meio executivo igualmente eficaz e menos gravoso."
STJ — 1ª Seção — Tema 1.325 — REsps 2.147.428/RS, 2.147.843/SC e 2.193.695/RS
02
"Após a triangularização da relação processual, o indeferimento da reiteração automática de ordens de bloqueio via Sisbajud exige fundamentação concreta, não se admitindo negativa baseada em argumentos genéricos ou abstratos."
STJ — 1ª Seção — Tema 1.325 — decisão unânime
O que é a teimosinha do Sisbajud
A teimosinha é uma funcionalidade do Sisbajud implantada em 2021 que permite o envio de uma única ordem de bloqueio que se mantém ativa por um período de 30 a 60 dias, realizando buscas automáticas e reiteradas nas contas bancárias do devedor. Em vez de o juiz precisar autorizar um novo bloqueio a cada tentativa, a teimosinha age continuamente — em qualquer horário, incluindo madrugadas e fins de semana — até encontrar saldo suficiente para cobrir o valor da dívida.
Na prática, isso significa que:
- Assim que entra qualquer valor na conta do devedor — salário, transferência, pagamento de cliente — a teimosinha tenta bloquear automaticamente
- Não há intervalo previsível entre as tentativas — o devedor não sabe quando o próximo bloqueio vai acontecer
- O sistema rastreia todas as contas vinculadas ao CPF ou CNPJ do devedor, incluindo fintechs e carteiras digitais
- Esvaziar a conta não resolve — a teimosinha bloqueia novamente na próxima entrada de dinheiro
📊 Números do Sisbajud em 2025/2026
Em 2025, o Sisbajud determinou o bloqueio de R$ 10,13 trilhões em ativos, dos quais R$ 58,3 bilhões foram efetivamente transferidos para contas judiciais. Em 2026, até a data desta decisão, as ordens de bloqueio já somavam R$ 26,2 bilhões, com R$ 20,9 bilhões já transferidos. São números que mostram a escala e o impacto real do sistema.
O que mudou com a decisão do STJ em 7 de maio de 2026
Antes da decisão do Tema 1.325, havia divergência nos tribunais do país sobre a legalidade da teimosinha. Alguns juízes indeferiam seu uso com argumentos genéricos — "princípio da menor onerosidade", "risco de inviabilizar a empresa" — sem exigir prova concreta do devedor. Com a tese vinculante, esse cenário mudou radicalmente:
Antes da decisão — cenário anterior
Alguns juízes indeferiam a teimosinha com argumentos genéricos, sem exigir prova do devedor
Havia divergência entre tribunais — resultado dependia do juiz e da comarca
O devedor podia pedir a suspensão alegando apenas risco abstrato ao seu negócio
Incerteza jurídica para ambos os lados — credores e devedores
Depois da decisão — novo cenário (vinculante)
A teimosinha é legítima e presumidamente válida — todos os tribunais são obrigados a seguir
O ônus da prova é do devedor — ele precisa demonstrar causa impeditiva concreta
O juiz não pode negar a teimosinha com argumentos genéricos ou abstratos
Para afastar a teimosinha, é necessário oferecer garantia equivalente ou comprovar impenhorabilidade
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Consulta gratuitaO que a decisão NÃO significa — os limites da teimosinha
A decisão do STJ validou a teimosinha, mas não a tornou absoluta. É essencial entender o que ela não significa:
Não significa que valores impenhoráveis podem ser bloqueados
A teimosinha bloqueia os valores que encontra nas contas — mas isso não torna esses valores penhoráveis. Se a teimosinha bloqueou salário, aposentadoria, benefício social ou valores até 40 salários mínimos, o devedor pode impugnar imediatamente e obter o desbloqueio desses valores específicos. A teimosinha não supera as proteções de impenhorabilidade previstas em lei.
Não significa que o juiz não pode afastar a teimosinha
A segunda tese do STJ é igualmente importante: o juiz pode afastar a teimosinha — mas precisa de fundamentação concreta. Não pode mais negar com argumentos genéricos. Isso significa que a defesa do devedor precisa ser específica e documentada para que o juiz tenha base para afastar o bloqueio automático.
Não significa que o parcelamento não suspende a teimosinha
A adesão a programa de parcelamento tributário ainda suspende a execução fiscal — e, consequentemente, a teimosinha. Com o parcelamento em dia, nenhum novo bloqueio pode ser efetuado. Essa continua sendo uma das formas mais eficazes de neutralizar a teimosinha.
⚠ O erro mais comum após essa decisão
Tentar esvaziar a conta para escapar da teimosinha. Além de não funcionar — a teimosinha bloqueia na próxima entrada de dinheiro — transferências realizadas após a citação podem ser declaradas fraude à execução pelo juiz. O caminho correto é a defesa técnica, não a fuga.
Como se defender da teimosinha após a decisão do STJ em BH
A decisão do STJ muda o ônus da prova — agora é o devedor que precisa demonstrar concretamente por que a teimosinha deve ser afastada. As estratégias de defesa que o advogado pode utilizar:
| Estratégia de defesa | Fundamento | Eficácia após STJ Tema 1.325 |
|---|---|---|
| Impugnação por impenhorabilidade | Valores bloqueados são salário, benefício social ou até 40 SM | ✅ Alta — direito líquido e certo, desbloqueio em 24h |
| Parcelamento ou transação tributária | Adesão ao parcelamento suspende a execução e a teimosinha | ✅ Alta — suspensão imediata com comprovação da adesão |
| Oferecimento de seguro garantia | Substitui o bloqueio por garantia equivalente (Tema 1.385/STJ) | ✅ Alta — Fazenda não pode recusar seguro garantia |
| Demonstração de risco concreto ao negócio | Prova documental de que o bloqueio inviabiliza folha de pagamento ou atividade essencial | ⚠️ Média — exige prova robusta e concreta, não argumento genérico |
| Argumento genérico de menor onerosidade | Alegação abstrata sem prova concreta | ❌ Ineficaz — expressamente vedada pelo STJ na Tese 2 |
Qual estratégia funciona no seu caso? O advogado analisa em minutos.
Falar agoraO impacto da teimosinha para empresas em BH
Para empresas em Belo Horizonte com execuções fiscais em andamento, a teimosinha representa um risco real e imediato ao capital de giro. Diferente de um bloqueio pontual, a teimosinha opera como uma vigilância permanente sobre todas as contas da empresa.
A folha de pagamento não pode esperar. Fornecedores não aceitam cheques sem fundo. Clientes perdem confiança quando uma empresa tem dificuldades financeiras evidentes. Por isso, o advogado precisa agir rapidamente quando a empresa está sendo atingida pela teimosinha, utilizando as estratégias mais eficazes disponíveis após a decisão do STJ:
- Parcelamento ou transação com a PGFN ou SEFAZ-MG: suspensão imediata da teimosinha com a comprovação da adesão — leia nosso artigo sobre parcelamento de dívida tributária em BH
- Seguro garantia judicial: substituição da teimosinha por apólice — a empresa recupera o controle das suas contas enquanto discute a dívida nos embargos à execução fiscal
- Impugnação por impenhorabilidade: quando os valores bloqueados são salários de sócios ou funcionários, o advogado pede o desbloqueio imediato
✓ A estratégia mais eficaz em 2026
Após a decisão do STJ, a combinação mais eficaz para empresas com teimosinha ativa é: aderir ao parcelamento ou transação tributária (suspende imediatamente) e ao mesmo tempo apresentar embargos à execução fiscal com seguro garantia (discute o mérito da dívida enquanto a empresa opera normalmente). Essa estratégia ataca o problema em dois flancos — suspensão e contestação.
O que a teimosinha significa para quem é credor em BH
Para empresas e pessoas que têm dívidas a receber com sentença judicial favorável — em ações trabalhistas, cíveis ou outras execuções — a decisão do STJ também é relevante. A teimosinha não é exclusiva das execuções fiscais: qualquer exequente com ordem judicial pode pedir ao juiz a ativação da teimosinha para cobrar o devedor.
Com a validação pelo STJ, os juízes não podem mais negar o pedido com argumentos genéricos — precisam de razão concreta para indeferir. Isso fortalece a posição do credor que busca efetividade na cobrança de suas dívidas.
Por que contratar advogado especialista em teimosinha em BH
A decisão do STJ mudou as regras do jogo — mas não eliminou as possibilidades de defesa. Ela apenas tornou a defesa mais técnica e menos genérica. Um advogado especialista em defesa tributária em Belo Horizonte conhece exatamente quais argumentos o STJ considera válidos, como construir a prova concreta exigida e qual a estratégia mais eficaz para neutralizar a teimosinha no menor tempo possível.
No escritório Diego Gomes & André Alves Advogados, em BH, o Dr. Diego Gomes Pacheco (OAB/MG 143.562) atua na defesa de empresas e pessoas físicas atingidas pela teimosinha em execuções fiscais federais, estaduais e municipais. Resposta em minutos pelo WhatsApp.
"A teimosinha foi validada pelo STJ — mas isso não significa o fim da defesa. Significa que a defesa precisa ser mais técnica, mais documentada e mais estratégica. O devedor que agir rápido e com os argumentos certos ainda tem boas chances de neutralizar o bloqueio automático." — Dr. Diego Gomes Pacheco, OAB/MG 143.562